Viagens e Aventuras

Travessia Petro-Terê 2008 – 57º/51º GEAr

Não farei um relato técnico e nem muito específico, mas sim um relato pessoal dos três dias em cima das mais belas vistas da nossa cidade.

Para muitos montanhistas a travessia Petrópolis-Teresópolis é considerada a travessia mais bela do Brasil. Concordo plenamente.

Para os leigos, a travessia consiste em ir de Petrópolis para Teresópolis pela Serra dos Órgãos (sem trocadilhos), com auge na Pedra do Sino.

Minha travessia começou na quinta-feira (24/06/08), com um pernoite na Ilha do Governador de onde partiria o grupo de 16 pessoas para o PNSO (Parque Nacional Serra dos Órgãos). Deveríamos estar dormindo às 20h para termos as horas necessárias de sono para o dia seguinte, já que a van que ia nos levar sairia de lá as 4h em ponto. Com vários problemas fomos dormir as 00:30. Fomos não, foram – pois eu e mais 4 ficamos acordados… Ah, se soubéssemos que essas horas de sono fariam falta!


No grupo

Às 2:30h, quase todos já se encontravam de pé. Deveríamos fazer uma leva de macarrão para o café da manhã, mas com alguns imprevistos comemos o que havia sobrado da noite anterior. Carregamos a van, o motorista estava um tanto quanto apressado…

Seguimos em direção a aventura. A maioria do grupo dormindo, eu e o P.H seguimos ao som da Legião Urbana. O motorista seguia seu curso, quase errou o caminho algumas vezes, mas após algumas indicações feitas por mim ele acabou acertando.

Chegamos ao parque por volta de 6h, fazia um frio suportável e o dia se encontrava escuro ainda. Esperamos o dia clarear, enfrentamos as burocracias do parque (horário de entrada e revista de material) e seguimos em frente. Primeiro destino, Pedra do Queijo.


Entrada do PNSO em Petrópolis

Nunca digam, não aguento mais subir ladeira, porque vocês não sabem o que é subida! As primeiras horas de caminhada foram sem ritmo, o que faz com que você se canse mais rápido, pois fica naquele anda e pára… E isso com uma mochila cargueira de 60 lts cheia. Uma luta até chegarmos a tal Pedra do Queijo. Tínhamos uma folga no relógio, chegaríamos às quatro da tarde no Açu, meta daquele primeiro dia. Parada rápida na Pedra do Queijo, algumas fotos e seguimos viagem rumo ao Ajax.


Pessoal na Pedra do Queijo

Da-lhe subida. Perguntei ao guia se a trilha até o próximo ponto era difí­cil, a resposta foi agradável aos meus ouvidos, era uma “reta” e não tinha erro. Segui com mais um ao meu lado o mais rápido possível, pois ao chegar lá voltaria e ajudaria quem precisasse. Minha grande decepção, o Ajax nada mais era do que uma pedra com uma poça de água ao lado. Voltei rapidamente para ajudar quem precisasse, devo ter demorado em torno de uma hora nessa brincadeira. Depois que todos chegaram fizemos um almoço rápido e pé na estrada.


Parada pro almoço

Próximo rumo: Açu. Primeiro obstáculo, Isabeloca, trilha de subida intensa e em ziguezague. Para parte do grupo que foi ano passado, a trilha usada esse ano foi melhor do que a do ano passado. Após a trilha se estabilizar e ficar plana demoramos em media 2h para chegarmos até o Açu. Uma visão linda de uma pedra encoberta pela névoa e com alguma luz dos raios do sol. Rapidamente a névoa baixou e junto com ela a noite e o frio intenso. Montagem das barracas, preparo da janta alguns probleminhas mais e às 20h estavam todos dormindo nas barracas. A temperatura aproximada foi de -8ºC naquela primeira noite.


Chegando no Açu


Morro do Açu


Acampamento no Açu, preparando o primeiro pernoite

O frio persistiu durante a manhã. Arrumamos as barracas e saí­mos com atraso rumo ao elevador. Não, não há um elevador de verdade na montanha, quem dera tivesse… Mas daqui a pouco eu falo nisso.

A visão era ruim, pois a névoa ainda se encontrava baixa. Andando devagar e sempre demos uma breve parada pra tirar os casacos e o que mais nos aquecia, pois o sol já se mostrava forte e quente por cima das montanhas. O dia estava lindo e o mar de nuvens banhava as montanhas.

A vida é feita de altos e baixos, o segundo dia de caminhada também. Caminhar olhando aquela paisagem é compensador e inspirador, esquecer da vida aqui embaixo não tem preço. Algumas paradas para ajudar um dos participantes que estava passando mal, comemoração rápida pelo aniversário de outro e vamos andando. O problema das paradas rápidas é que a galera enrolava para por a mochila e recomeçar a andar e isso prejudicou a todos mais na frente. Parte do grupo seguiu na frente para ir subindo o elevador e ajudar o restante depois. As paradas rápidas acabaram virando paradas demoradas…


Mar de nuvens…


Descendo em meio as nuvens


Aniversariante do dia: Gustavo “Santana”

A primeira vista do elevador: grampos de grampeador em tamanho gigante presos a rocha em forma de escada! Nada melhor do que isso, mais vem o melhor de tudo, estavam todos sujos de bosta. TODOS… Por que?? Simples, algum gênio resolveu fazer o que não devia em cima dos grampos! Ou foi por medo ou por muita sacanagem mesmo. O cheiro era péssimo, mas tínhamos que subir. Até que foi rápido, alguns ficaram abalados na subida ainda mais porque qualquer bobeira você já era. Depois dessa subida começa “a” descida. Andamos mais umas 3h até começarmos a ver o Garrafão, a Pedra do Sino e outras. Demoramos mais ainda para chegarmos ao dorso da baleia, e quando chegamos já era noite. Ainda faltava boa parte para alcançarmos o “cavalinho”, trecho considerado por muitos um ponto perigoso por sua exposição a altura e por ser preciso fazer um pequeno “lance de escalada”, e fazer isso a noite faz com que os risco tripliquem…


Vista do Garrafão

Uma breve parada para por os agasalhos, já que o frio já estava presente entre nós e congelaríamos. Seguimos… Chegamos a um trecho onde precisarí­amos fazer um rapel pequeno. A espera para finalizar esse trecho foi de aproximadamente 3hs. (descida do vale da morte). Começamos a trilhar rumo ao cavalinho. Chegamos lá e foram mais 3h para finalizá-lo. O frio já era grande e a madrugada chegava. Mais um bocado de trilha, algumas golfadas no meio dela uma lua maravilhosa e chegamos ao Abrigo 4 às 2h da matina! Uma jantinha rápida ao sereno da noite de -3ºC marcados pelo termômetro do abrigo e depois cama. Alguns acordaram cedo para subir a Pedra do Sino outra parte permaneceu acampada e dormindo…


Eu e Binho esperando para passar pelo “cavalinho”

Ao certo não sei que horas partimos, mas após horas de descida e digo apenas descida e belas vistas chegamos, eu e mais uma pessoa, ao fim da travessia na entrada de Teresópolis às 15:30. A trilha foi concluída às 16:20h por todos.


Durante a descida – divisão de camadas


Desmaiado? Dormindo? Não apenas descansando no final da trilha…

Nota pessoal: Lá em cima não há como não acreditar que existe uma força maior que nós, alguns chamam de Deus, outros de Deuses, espí­ritos e etc. Não há como não crer em nada, não hã como não crer no caráter das pessoas, não há como não pensar na vida e nos erros que cometemos. A união lá em cima é essencial, a atenção ainda maior aos detalhes e as atitudes. Lá em cima cada momento é mágico por mais doloroso que possa ser, por mais difí­cil, por mais chato… É sempre mágico.

Pedro Hecht


Tropas de Sêniors e Guias – Kwarup (57º GEAr RJ) e Corsário (51º GEAr RJ)

Estudante, gosta de tudo o que faz e mais um pouco, futuro engenheiro de produção e louco por aventuras.

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    1 Comment

    1. Muito bom o relato, Pedro…

      Quando estamos em nossas casas, após uma experiência como esta, é que reparamos o quanto somos pequenos em relação à  toda a natureza que existe…

      Percebemos, também, a quantidade enorme de coisas lindas que deixamos de ver por estarmos presos em casa/apartamento jogando nosso PS2 ou 3… ou mesmo, no MSN e Orkut…

      Parabéns à todos pela conquista…

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