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Mais leve e mais verde

Cada vez mais os equipamentos ultralight vêm ganhando espaço entre os praticantes de atividades outdoor. E algumas pessoas se limitam a trocar seus equipamentos atuais por itens modernos e tecnológicos. Mas nem sempre essas são as opções mais leves ou tem um menor impacto ambiental.

Ao mesmo tempo que esses equipamentos nos ajudam a remover algumas gramas das nossas mochilas eles também têm um impacto no ambiente, afinal de contas, estamos falando de tecidos sintéticos, metais, mineração, processos industriais, etc. E se fosse possível reduzir algumas gramas nos seus equipamentos e ao mesmo tempo ter uma pegada mais verde? Um benefício duplo! É disso que eu vou falar neste texto.

1. Cortar o cabo da escova de dentes ou trocar a escova?

Acho que a primeira vez que eu ouvi alguém falar sobre redução de peso foi algo mais ou menos assim:

– Mas essa pessoa corta até o cabo da escova de dentes pra reduzir o peso! Que louco!

Pois é, isso se tornou normal hoje em dia. Eu nunca senti necessidade de cortar o cabo das escovas de dente que eu levo pros acampamentos, mas por curiosidade eu resolvi pesar ela e comparar com uma escova de bambu que eu passei a usar como uma forma de reduzir o consumo de plástico.

A escova tradicional que eu tenho aqui pesa exatamente 21 gramas, com o cabo intacto. A minha escova de bambu pesa apenas 6 gramas! E seria possível reduzir esse peso se eu cortasse o cabo dela.

A mesma escova de dente tradicional com o cabo cortado pesa 10 gramas. Ok, o peso baixou, mas ela ainda gera um lixo plástico e impacto no meio ambiente por causa do uso de combustíveis fósseis na fabricação.

A escova de dentes de bambu foi uma das coisas que adotamos durante o processo de redução de impacto que começamos a praticar aqui em casa. Mas outros equipamentos e acessórios que usamos também foram afetados por causa desse “movimento verde”.

Escova de bambu é mais leve

Nem sempre as opções mais modernas e tecnológicas são mais leves

2. Adeus esponja de cozinha

Lavar louça no ambiente natural requer uma série de cuidados com as fontes de água, contaminação, restos de alimentos, produtos químicos e micro plásticos. Esse mesmo pensamento existe aqui na pia da nossa cozinha.

A primeira coisa que trocamos foi a esponja de lavar louça, aquela verde e amarela, que todo mundo conhece. Atualmente usamos uma bucha vegetal para lavar louça aqui em casa, e a mesma bucha substituiu a esponja nos acampamentos.

A esponjinha de cozinha solta micro plásticos na pia, que descem pelo cano. A mesma coisa acontece no meio ambiente quando lavamos louça usando essas esponjas, mas aqui os pedacinhos de plástico vão parar direto no ambiente.

A bucha vegetal é natural, não agride a natureza, é biodegradável, leve e barata. Uma substituta perfeita para as esponjas de cozinha comuns. Existem esponjas de fibra de coco e celulose que são igualmente boas quando se trata do meio ambiente, porém elas são mais caras do que a bucha vegetal.

E como estamos falando de peso: a esponja de cozinha tradicional pesa mais ou menos 6 gramas (inteira), e um pedaço de bucha vegetal do mesmo tamanho pesa 4 gramas. Menos peso e menos impacto ambiental.

3. Café bom é no coador, de pano

Ahhhh, como eu amo um bom café na montanha! Aqui em casa usamos um coador de pano ao invés dos filtros e das cápsulas. Essa escolha se estendeu até o nosso kit de acampamento. Usamos um coador de pano pequeno com cabo de madeira, sem plástico. Custou R$ 8,00 e pesa apenas 26 gramas.

A maior desvantagem dele para o uso outdoor é que ele fica úmido após o uso. Mas em termos de custo, impacto e peso ele é de longe a melhor escolha.

Existe a opção do coador de titânio, que é leve e tem a vantagem de ser super resistente. Não é tão barato, não será tão leve quanto o coador de pano, mas irá durar a vida toda. Então pense no que vale mais a pena para você.

Como muitos apaixonados por café eu também gosto das várias soluções modernas para beber um bom café, inclusive tenho uma mini cafeteira manual de expresso que eu uso mais em casa do que em qualquer outro lugar. É justamente a minha Minipresso nos levará para o próximo tópico deste texto.

4. Será que você precisa realmente desse equipamento novo?

Eu adorei a Minipresso assim que ela apareceu na internet, comprei na pré-venda, direto com o fabricante chinês. Achei muito legal, tinha um vídeo bonitoso explicando como ela funcionava. Ela custou bem menos do que custa atualmente, mas ainda assim foi um item que eu comprei e usei apenas em casa, nunca sequer cogitei em levar ela para qualquer trilha.

O motivo pra isso é que em geral eu acampo com amigos ou com a minha esposa e, além do peso, a Minipresso faz um café pequeno, ideal para uma pessoa, mesmo usando o tanque de água maior. Ela não é tão prática para o uso no camping. E aí vem a reflexão:

– Será mesmo que eu precisava dela? Eu fui mais uma vítima do marketing?

Essas perguntas me fizeram refletir sobre a quantidade de itens que nós compramos por causa da mídia ou da modinha outdoor.

– Aquela pessoa tem, eu quero ter também!

Isso me fez rever vários equipamentos que tenho aqui, pesar e comparar itens semelhantes, pensar na relação de custo-benefício de cada um deles e também no impacto que causamos só por comprar uma novidade que nem sempre precisamos de verdade.

Conclusão

A ideia por trás deste texto é fazer com que você reflita sobre as suas escolhas ao comprar um equipamento. E sobre as opções que existem ao nosso redor. Itens que não são tecnológicos mas que podem ser leves e ecológicos. Bem como as opções de equipamentos e marcas que se preocupam com os produtos e os processos de produção, buscando soluções e práticas fabris com um impacto menor.

Nós somos apaixonados pelas montanhas, trilhas, lagos, rios, cachoeiras e pelos oceanos. E por isso mesmo cabe a todos nós pensarmos nas nossas escolhas, no consumo e no processo como um todo.

Podemos levar as nossas ideias de mínimo impacto para uma esfera mais ampla, muito além dos procedimentos que praticamos nas nossas atividades outdoor. Podemos levar essas ideias para as nossas escolhas diárias, pense nisso.

Trekker, montanhista, mochileiro e ciclista. Pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, viagens, cerveja e tecnologia.

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