Viagens e Aventuras

Cuba – Mergulhando nos Jardines de La Reina

Começar a mergulhar era algo que estava nos meus planos há muito tempo e pelas mais diversas razões eu sempre adiava o momento de fazer o curso. Finalmente, no ano passado, fiz o curso e para começar a vida de mergulhador com pé direito, resolvi conhecer um dos pontos de mergulho mais incríveis do mundo: Jardines de La Reina, em Cuba.

Em primeiro lugar, visitar Cuba era algo que eu também planejava há bastante tempo. Cuba está localizada no Caribe, a pouco mais de140 kmao sul dos Estados Unidos, sendo a maior e mais populosa ilha da região. A cultura local é uma mistura muito interessante entre a cultura indígena pré-colombiana (Tainos e Ciboneis eram os principais grupos que habitavam a ilha), a cultura espanhola, dos primeiros colonizadores, a cultura negra dos escravos africanos e a cultura norte-americana, pela proximidade e alto número de cubanos que migram para o país vizinho.

Desde os anos 1950, o país é governado por um regime autoritário de esquerda, que substituiu a ditadura de direita de Fulgêncio Batista. Desde 2008, Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, assumiu o poder e vem implementando mudanças paulatinas, reduzindo a maior parte das restrições existentes até então, liberando, por exemplo, a livre negociação de automóveis e residências.

Em Habana (esse é o nome oficial da cidade, o modo como conhecemos é a forma americana de escrever – Havana) a capital do país, é possível se hospedar nos diversos hotéis da cidade, geralmente administrados por grupos estrangeiros (particularmente espanhóis e italianos) em sociedade com o governo, ou na casa de cubanos, em lugares conhecidos como particulares. Fiquei em frente ao Malecón, a avenida beira-mar de Habana.

Sempre temos alguma imagem pré-determinada dos lugares que visitamos. E Habana foi um desses lugares onde o que eu imaginava que veria não tinha nada a ver com o que eu de fato encontrei. Essa parte da cidade, uma parte basicamente voltada para turistas, é formada por ruas largas e praças, muito bem organizadas e limpas.

Por outro lado, quando resolvi explorar um pouco a cidade, encontrei um pouco do que eu sempre imaginei. O povo cubano é extremamente simpático e alegre. A música cubana, o jazz, a salsa, a rumba, o cha-cha-cha e o mais recente reggaeton, parece sair de todos os lugares. O centro histórico da cidade, que está em fase de restauração, é muito bonito. Habana é conhecida como a cidade das colunas e as construções deixam bem claras as razões.

Um lado pouco simpático do país é o fato de que o severo controle econômico e social gerou uma sociedade com poucas liberdades e que passa muito tempo tentando encontrar maneiras de “dar um jeito” no sistema. É normal que os cubanos abordem os turistas pedindo sabonetes, canetas e roupas. Essas coisas são normalmente trocadas em uma espécie de “mercado negro” por outras coisas, como comida.

Para quem vai a Habana, recomendo visitar algum dos bares de jazz no centro, tomar muitos mojitos e cubas libres e experimentar o moros y cristianos (ok, é só arroz e feijão e o nosso brasileiro é MUITO melhor, mas vale por ser o prato nacional cubano).

De Habana, cinco horas de ônibus em direção ao leste da ilha, e chegamos ao porto de Júcaro. Aqui é interessante observar um pouco de como funciona a vida no interior de Cuba, bem diferente da movimentada Habana.

Mais algumas horas de barca e se chega aos mangues da região de Jardines de La Reina. A empresa que possui infraestrutura para mergulho na região de Jardines é a Avalon, que possui um hotel flutuante, La Tortuga, no meio das diversas pequenas ilhas e mangues que formam o arquipélago.

Jardines de La Reina, que está localizada entre as províncias de Ciego de Ávila e Camagüey, tem esse nome em homenagem a Rainha Isabel de Castela. Desde os anos 1960, é um parque nacional e está liberado para mergulho a pouco mais de quatro anos. Somam-se a isso as diversas medidas de proteção do governo cubano, a distância da costa e a ausência de população e temos a explicação para seu estado de preservação. Na região estão catalogadas mais de 167 espécies de peixe de recife, 165 invertebrados marinhos, 77 espécies de corais, 60 de esponjas e 58 espécies de peixe de mangue.

Por conta da excelente saúde dos recifes e o equilíbrio na vida presente, a região chama atenção pelo grande número de tubarões, particularmente os silk e os caribenhos de recife, que vivem no local. Naturalmente, um dos grandes atrativos no mergulho em Jardines é a possibilidade de nadar com estes tubarões.

Existem diversos pontos demarcados para mergulho na região. A água é quente o ano todo. Em outubro, época em que eu visitei, a temperatura de fundo ficava constantemente a 28° C (bem acima dos típicos 20-22º C do litoral paulista/carioca). Além disso, a visibilidade é muito boa. Não estando na melhor época (em outubro já começam as chuvas e o período de furacões), peguei uma visibilidade em torno de 20/30 metros.

Os mergulhos são razoavelmente profundos, ficando quase sempre abaixo dos20 metros(para os padrões PADI, é necessário possuir habilitação de mergulho avançado). Os melhores mergulhos acontecem em paredões, de forma que é fácil chegar a40 metrosnos mergulhos, mantendo a boa visibilidade e temperatura.

Os guias locais usam peixes no início ou final do mergulho para provocar um frenesi de alimentação, aumentando o número de tubarões. Mesmo sem o frenesi, os tubarões, principalmente os caribenhos, aparecem em grande número e acompanham o mergulho de perto.

Além dos tubarões, é possível mergulhar com outros grandes peixes, como os tarpões, meros gigantes e garoupas. Além destes, sempre apareciam as raias, tartarugas, pequenos peixes de recife e um grande número de lyon fish, que está se tornando uma praga na região (não são naturais do Caribe, foram inseridos acidentalmente e não possuem predadores naturais). Além disso, é impressionante mergulhar nos jardins que são formados em toda região.

Enfim, é uma região que está sendo descoberto pelo turismo internacional. Ainda é pouco visitada e isso faz com que o ambiente esteja praticamente virgem. Apesar das medidas intensivas de preservação, é natural que parte da naturalidade e facilidade de observação de vida se perca com o aumento do turismo. Por isso, recomendo bastante que os mergulhadores (e aqueles que vão ser mergulhadores) se apressem e visitem o lugar o quanto antes.

* Fotos sub aquáticas feitas por Marcelo Krause

Montanhista, mergulhador e economista nas horas vagas.

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    2 Comments

    1. Prezado edgar,

      meu nome é Felipe e sou fotógrafo amador, mergulhador amador e advogado profissional nas horas vagas. Tenho paixão por tubarões e fiquei com muita vontade de ir para Jardines de la Reinas mergulhar com os bichanos.Pretendo ir em agosto a partir do dia 20 pois é quando temnho ferias na emrpesa. Minhas perguntas são simpels e diretas. Se puder ajudar, ficareiu muito agradecido.

      – tenho milhagens e não preciso contratar um pacote completo. Chego em havana. Quanto é a passagem de onibus?

      – existe hotel em puerto jucaro?E em Las Reinas?tem ideia de preço?

      -tem noção a cerca dos preços dos passeios de barco com mergulho incluído?

      – tenho o PADI básico. Com essa certificação conseguirei ver os tubarões?

      muito obrigado pela atenção.

      Atenciosamenter,

      Felipe

    2. Oi Felipe, tudo bem?

      Vamos lá. A Avalon é a única operadora em Jardines. E os pontos de mergulho ficam longe da costa, é algo como 3-4 horas de navegação. Com isso quero dizer que você terá que ficar no La Tortuga, o barco hotel que fica fundiado em Jardines. E, terá que comprar um pacote com eles (mesmo que não seja um pacote que te leve desde o Brasil). Dê uma olhada nesses links.
      http://cubandivingcenters.com/tortuga.php
      http://www.fishipedia.com/accommodation/la-tortuga/
      http://www.wowcuba.com/wowcuba2/articulo.php?articulo=Jardines%20de%20la%20Reina%20Diving&id_idioma=2

      A Avalon já inclui o transporte de Havana até Puerto Jucaro e de Puerto Jucaro até Jardines.

      Então, infelizmente, acho que não rola uma viagem independente. No máximo, vc consegue acertar tudo com eles diretamente, sem intermediários aqui do Brasil. Sobre preços os links tem as info.

      Sobre a certificação. Os mergulhos são profundos, entre 25-30 metros. Em tese você não poderia chegar a essa profundidade com o básico (tubarões silk ficam no raso, então sem problema, mas os caribenhos ficam no fundo). Porém, o mergulho é com muita visibilidade e água quente, então os instrutores não costumam restringir a sua profundidade (nessas condições a chance de uma narcose ficam menores). Se você mergulha bem, vai sem problema. Se você ainda está inseguro, faz um curso de avançado só para ganhar mais confiança.
      Qualquer coisa é só perguntar. Abraço

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