Tutoriais e Técnica

Como limpar o seu material de escalada

Texto de Francisco Caetano (guia e diretor técnico do CEB). Conteúdo retirado na íntegra da publicação do CEB de março/abril 2014.

Uma pergunta recorrente é: quando devo lavar minhas cordas, minhas fitas e meu baudrier? A resposta é: basta seguir as “regras de ouro”!

Primeira regra de ouro

“Material de escalada NÃO TEM CHEIRO!” E acredite, não tem mesmo… infelizmente! A maior parte do material é constituída de fibras sintéticas e, não raramente, fica impregnada de suor que depois seca… mas se você guarda o material nestas condições em local pouco ventilado, tipo “deixa na mochila e só tira na próxima escalada no outro fim de semana” o resultado será um verdadeiro criadouro de ácaros e bactérias. Assim, ao próximo suorzinho com o seu criatório (fitas, baudrier ou mochila) seu nariz sentirá um futum de peixe podre, com leve toque de rosas apodrecidas. Um verdadeiro cartão de visitas para aquele parceiro pentelho que adora botar apelido nos outros, ou então um vexame para aquela gatinha que você disse que iria mandar um lance difícil… o mais provável é que quem mande seja ela… te tomar banho.

Segunda regra de ouro

“Não espere o material cheirar!!!” Mas quanto tempo é isso?? Bem, vamos ás dicas:

* Se você escalou e se sujou muito, se você se encheu de terra ou se molhou na terra: está na hora de lavar!

* Se você se sujou pouco: hummm, dá para segurar um pouco…

* Passou por líquidos desconhecidos? Lave no ato!

* Mudanças intensas na coloração: está na hora de lavar!

Terceira regra de ouro

“Lavar é para limpar, não para ficar com cara de novo”! Tem pessoas que exageram, querem tirar toda e qualquer mancha e com isso estressam o material. Nem pensar em usar produtos “tira mancha” ou coisa parecida! Cuidado com as esfregadas, dependendo do material você pode simplesmente estragar a cobertura e vedação.

Agora vamos à lavagem em si

Lavando cordas – Encha o tanque de água até imergir toda a corda e faça o avançado processo de turbilhonamento manual, chamado de “chacoalhar”: você se debruça no tanque e chacoalha a corda tirando e colocando-a dentro d´água com movimentos vigorosos. Tal ação deverá fazer com que a água fique turva. Nesse momento, deve-se retirar toda a corda do tanque, trocar a água e repetir tudo de novo, no mínimo umas quatro vezes, ou até a água clarear. Atenção: jamais a água ficará totalmente limpa, pois a corda sempre vai soltando um pouco de tinta.

Acabou de lavar, esvazei o tanque e retire a corda centímetro por centímetro, passando-a pelos dedos fazendo pressão para retirar o excesso de água. Em seguida, deixe a corda apoiada, de preferência no varal, mas não pendurada e sim apoiada em ziguezague sobre o varal.

Pontos de atenção: não deixe sua corda exposta ao sol, de forma alguma! Não use produtos de limpeza, no máximo sabão neutro (eu não uso nada!)

Lavando fitas – Deve-se ter muito cuidado com a limpeza de fitas. Algumas têm pequenas dimensões e fibras muito expostas. Nesse caso, lave e esfregue com a mão, usando o mínimo de sabão. Em fitas mais espessas e largas, pode-se usar uma escovinha de cerdas moles. Para secar, as fitas podem ficar penduradas.

Lavando baudrier – Lavar baudrier é coisa complicada. Dá para usar escovinha e sabão de forma mais ampla, mas é preciso ter um cuidado super-especial com a secagem das partes metálicas (fivelas). Muitas delas estão dentro do tecido e são de difícil acesso; para secar esses partes é OBRIGATÓRIA a utilização de hastes de plástico ou madeira enroladas em pedaços de pano seco (isso deve ser feito várias vezes para obter secagem completa). Se deixar secar com a parte interna molhada o material irá enferrujar! O pior é que a ferrugem ficará escondida e você não vai perceber!

Apaixonada pelas coisas boas da vida: montanhas, trilhas, aventuras, viagens e amigos.

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    2 Comments

    1. Site muito bacana. Por favor sejam menos preconceituosos existem muitas mulheres que escalam e visitam o site.

      1. Oi Flor, esse artigo é uma reprodução integral de um texto veiculado no jornal de um Clube. Ele foi publicado aqui integralmente, mas concordamos com seu ponto de vista, então editamos os trechos. Obrigado pelo alerta! Abraços e bons ventos.

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