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Pedalando de Garopaba ao Farol de Santa Marta

Durante os anos de 2018 e 2019 o site ficou quase inativo e nós postamos muito pouco. E nesse tempo de muito trabalho num ritmo louco e reviravoltas na vida, eu acabei por redescobrir a bicicleta – uma “máquina” tão simples que me permitia fugir do stress diário.

No final de 2017 o tio da minha esposa me perguntou:

– Você não quer ficar com essa “bici” que era do Lucas?
– Hummm, quero sim – respondi.

E aí começou tudo, fui mordido pelo bicho da bike – um caminho sem volta segundo alguns amigos ciclistas. A antiga Caloi Supra 18 vermelha chegou e, depois de sei lá quantos anos sem pedalar, lá estava eu, atropelando as pessoas na calçada, me preocupando com os buracos no asfalto, andando na contramão e coisas do gênero. Estava na hora de aprender novamente a pedalar, entender a bike, aprender a me comportar no trânsito, na rodovia, alimentação, hidratação, etc… E aí vieram horas de vídeos e mais vídeos, conversas, leituras, manuais de manutenção e mecânica de bikes, peças, acessórios, roupas… E, é claro, muitos quilômetros de pedal.

Caloi Supra 18

Como tudo começou, sem suspensão, sem freios a disco… Simples, mas com muita felicidade.

O tempo passou, eu troquei a bike, pedalei mais, comprei mais coisas, equipos, etc… Algo aparentemente comum quando você mergulha nesse mundo das bikes. Agora eu não andava mais na contramão e não atropelava ninguém na calçada, rsrsrs!

O Fábio Almeida (Pedal Nativo / Chamado da Montanha) e o Edson Maia (Ciclotrekking) me convidaram para rodar 100km numa volta na ilha de Santa Catarina. Prontamente eu aceitei!

– Simbora passar perrengue dando uma volta em Floripa!

Depois disso o próximo passo foi colocar um bagageiro traseiro na bike e pegar um par de alforjes emprestados com o Fábio. Vamos começar com as cicloviagens curtas!

A primeira tentativa deu com os burros na água, ou melhor, nas câimbras. Eu tinha ficado dois meses e meio no Rio de Janeiro totalmente sedentário resolvendo algumas coisas de família… Retornar para a bike em uma viagem com muitas subidas e 9kg extra de carga nos alforjes não deu muito certo. Saímos de Floripa com destino ao interior de Santo Amaro da Imperatriz, e ao chegar por lá eu sofri com câimbras monstruosas. Mas bem, não vamos desistir, né? Então…

Minha primeira viagem de bike – de Garopaba até o Farol de Santa Marta, em Santa Catarina

E lá veio o Fábio novamente:

– Vamos pro Farol de Santa Marta? Saímos de carro de Floripa, vamos para Garopaba para evitar o Morro dos Cavalos (trecho de subida da BR 101, com muito trânsito pesado e sem acostamento) e de lá pedalamos até o Farol de Santa Marta. Uns 70km misturando estradas de terra e a BR 101. Vamos acampar de rede lá, topas?

– Mas é claro! – respondi

Nos preparando para sair de da Lagoa de Ibiraquera

E a antiga Caloi Supra deu espaço para uma Kona Fire Mountain Deluxe, modelo 2010, que eu comprei usada na OLX.

Saímos por volta das 09:00h de Floripa e rumamos de carro para a Lagoa de Ibiraquera. Paramos em um restaurante na estrada e tomamos um café da manhã extra para garantirmos algumas calorias a mais. E na estrada nos demos conta de que a previsão estava certa, iríamos brigar com o vento contra durante os 70km de pedal. E o Fábio ainda me diz:

– Amanhã a previsão é que o vento vire, ficará contra novamente!
– Que belezura!

Chegamos no nosso ponto de estacionamento, preparamos as bikes e colocamos os pneus na estrada. Pegamos a BR 101 e logo depois entramos em uma estrada menor que vai do Arroio até Imbituba, ia tudo muito bem até virar uma estrada de terra com muita areia fofa e um mar de “costelinhas”. Eu seguia pedalando, domando a bike para ela não “perder a frente” e pulando nas costelinhas da estrada. E me disseram que isso de viagem de bike era legal! Rsrsrs!

Finalmente as costelinhas acabaram e voltamos a pedalar em uma estradinha pavimentada que segue paralela ao mar passando por um mirante com vista para o Porto de Imbituba. Hora de uma pausa para se refrescar, aproveitar a sombra e a vista. Até aqui o pedal seguia bem, fora a “costelagem” anterior, o vento e o sol de lascar. De resto estava tudo bem, rsrsrrs!

Pausa em Imbituba - Pedal até o farol de Santa Marta

Pausa em Imbituba. Em primeiro plano a bike do Fábio.

Eu e o Fabio na Pausa em Imbituba

Eu e o Fabio na Pausa em Imbituba. Até aí era só felicidade, rsrsrs!

Saímos do mirante lá em Imbituba e pedalamos até chegarmos perto da entrada de Laguna, paramos uns 10km antes. Neste trecho o Sol castigava, o vento contra vinha em rajadas e a minha velocidade chegou a cair para 12km/h. Hora de parar num ponto de ônibus ao lado de um barzinho, pausa estratégica para comer uma barra de proteína, beber uma Coca-Cola gelada e uma garrafinha de água. Papo vai, papo vem, observávamos uma família que comprava uma churrasqueira na lojinha que ficava ao lado do ponto. Eles iam com um carrinho e pegavam as partes da churrasqueira aos poucos. Até tentamos garantir um churrasco, mas não deu muito certo! Rsrsrs!

Recuperamos as energias, mas infelizmente não comemos um churrasco… Hora de partir, seguimos para mais um trecho de pedal pela BR 101. O Fábio abriu uma vantagem e seguia na frente num ótimo ritmo. E eu aprendi a desencanar da ideia de acompanhar ele, e parei de dar atenção para a tela do GPS. Seguia mantendo a pedalada, observando a estrada e resmungando comigo mesmo.

A próxima parada seria em Laguna. Quanta felicidade por deixar para trás a BR 101 e os seus barulhos e entrar em uma estrada um pouco mais calma – ainda que menor e bem movimentada por causa do encontro de motos que acontecia nesta mesma data em Laguna. Agora o cuidado extra passava a ser com pedestres, portas de carros abrindo, cruzamentos, etc. Vida de ciclista não é nada mole! Mas curiosamente eu notei que as motos não eram um problema, parece que os motociclistas entendem essa coisa de duas rodas e respeitam mais as bikes. ;)

Chegamos no marco do Tratado de Tordesilhas e fizemos uma parada rápida por lá, antes de seguirmos até a balsa que faz a travessia entre Laguna e a Ponta da Barra. Após a travessia pedalaríamos uns 16 km até chegarmos no Farol de Santa Marta. Aliás, o Farol é um cantinho muito gostoso, legal para quem curte praia, surf e faróis. Eu já estive lá antes e tem um relato aqui no site sobre essa viagem ao Farol de Santa Marta.

Travessia de Balsa - Laguna para Farol de Santa Marta

Travessia de balsa entre Laguna e o Farol de Santa Marta. Cada bike pagou R$ 2,00 ou R$ 2,25 de tarifa na balsa – não me lembro muito bem agora.

A travessia de balsa é rápida e para a nossa sorte nós chegamos justamente quando uma balsa atracou, nem precisamos esperar. Nas duas pontas da travessia existem bares, aproveitamos e fizemos uma parada antes do trecho final. A essa altura já estávamos pedalando a cerca de 4h e 30 minutos.

Batemos um papo com o dono do bar – que também gostava de pedalar. E ele comentou que no Farol estava acontecendo um evento de bike, que umas 35 bikes tinham passado ali antes. Aliás, o atendente da padaria lá de Santo Amaro da Imperatiz – daquela minha primeira viagem que não deu certo – também era ciclista.

Simbora encarar o trecho final então! Eram 16 km no plano! Reclamar de quê? Nadinha, só felicidade!

Ah, a inocência do cicloturista de primeira viagem… Eu estava cansado, o Sol seguia torrando e o vento castigou mais do que nunca. O GPS marcava 10km/hora em alguns trechos! Eu seguia pedalando… Firme, mas nem tão forte assim.

Passei pela placa que indicava a chegada no Farol de Santa Marta, e logo depois parei no posto de gasolina que fica em um trevo da estrada. Fábio estava lá, de boas, sentado na sombra com uma garrafa de água gelada que ele tinha comprado. Eu agarrei a garrafa como alguém que estava perdido no deserto morrendo de sede. As pernas reclamavam bem neste ponto, mas o farol já estava logo ali e o nosso camping ficava bem no final da estrada. Era só mais uma reta e pronto, chegaríamos ao nosso destino. Como dizem os ilhéus lá de Floripa: “segue reto toda vida”.

E seguimos. Ainda chegamos ao Camping do Cardoso com luz suficiente para escolhermos com calma o local onde montaríamos as nossas redes. Tarefa que ficou bem mais simples com o acompanhamento de umas latinhas geladas de Heineken e um biscoito de polvilho – nunca uma harmonização foi tão perfeita!

Acampando no Camping do Cardoso – Farol de Santa Marta

Optamos por acampar usando redes porque elas eram mais leves que as barracas e o Fábio sabia que teríamos como montar elas lá no camping. Escolhemos um ponto com as árvores que precisávamos e tratamos de montar o acampamento. Eu estava com um kit de rede da Sea to Summit e o Fábio estava com um kit de rede da Kampa, apanhei um pouco para montar a rede da Sea to Summit pela primeira vez – estava acostumado com a rede Amazon da Guepardo que é bem mais simples para montar. Mas depois de alguns minutos as nossas “casas” estavam prontas para o pernoite.

Rede Pro Hammock Sea to Summit

Testando a rede Pro Hammock da Sea to Summit, junto com o tarp e o mosquiteiro da mesma marca. Foto: Fábio Almeida / Pedal Nativo

Rede Sea to Summit e rede Kampa

Infelizmente – ou felizmente – não pegamos chuva. Queria muito testar essa rede em situação de vento e chuva.

Antes de pensarmos em jantar o Fábio resolveu gravar o pôr do sol para o vídeo que ele vai fazer desta viagem. Um final de dia lindo, dos mais bonitos que ele já viu, segundo disse ao voltar da praia que fica na frente do camping.

Tudo pronto estava na hora de um bom banho quente e de pensar no jantar. Se bem que na verdade não pensamos muito no jantar, o camping do Cardoso tem um restaurante que funciona a noite e nós optamos por comer um peixe assado com legumes, camarão e outros acompanhamentos. Valeu a pena, jantamos bem melhor do que teria sido se fizéssemos a comida.

Hora de encerrar as atividades e colocar o “motor da bike” para descansar. Acorrentamos as bikes e apagamos quase que instantaneamente logo que nos esticamos dentro das redes. Eu dormi como uma pedra! Gosto muito da rede, até mais do que da barraca.

Voltando para Garopaba

O dia amanheceu lindo, ensolarado e ventoso, perfeito para sofrer durante os 70km de volta!

Optamos por guardar energia pra volta e como nós já conhecíamos o Farol resolvemos não passear pela cidade antes de voltar. Provavelmente isso não aconteceria se essa fosse uma “viagem pra valer”, até porque o Farol de Santa Marta é um ponto bem legal para fazer umas fotos e para curtir por um dia ou dois durante uma viagem mais longa de bike.

Tomamos o café da manhã no camping também. Por R$ 20,00 (cada) poderíamos comer a vontade. Tomamos aquele café e desmontamos o acampamento. Uma rápida parada no mercadinho que fica em frente ao camping para reabastecermos as garrafas de água e lá fomos nós rumo à balsa. Mas desta vez algo estava diferente!

O vento estava soprando na diagonal, não era bom, mas não era tão ruim quanto se estivesse de frente. A pedalada rendia muito mais do que no dia anterior, ainda que eu não conseguisse acompanhar o Fábio. Chegamos quase juntos na balsa e os 16km que foram uma tortura no dia anterior passaram sem problemas. Mas não vamos comemorar agora, afinal de contas, eu estava descansado, com um bom café da manhã e com o vento atrapalhando um pouco menos.

Brigando contra o vendo na rodovia

Brigando contra o vento para ultrapassar o Fábio na rodovia, durante a ida. Foto: Fábio Almeida / Pedal Nativo

Ao chegarmos a barca já estava atracada, embarcamos facilmente e logo depois estávamos do outro lado. Seguimos bem melhor do que no primeiro dia, o corpo já estava acostumado com o esforço em cima da bike, e o vento incomodou bem menos. A pedalada fluía bem, e eu pedi para pararmos num posto de gasolina para beber alguma coisa gelada, o calor estava demais. Paramos, bebemos e tocamos em frente.

Fábio abria uma distância grande e eu ia experimentando o gosto de uma “viagem solo” de bike, o que foi bem interessante. Cuidar do roteiro para não errar a entrada, redobrar a atenção ao cruzar ou entrar nas agulhas de acesso que saiam da rodovia para as cidades do entorno, desviar dos restos de pneus e peças que ficam jogados no asfalto…

Mais um parada rápida em um posto de gasolina, desta vez o Fábio estava parado e eu passei e vi a bike. Ele encostou a bike de uma forma que eu conseguisse ver ela da estrada, assim era fácil. Ao passar por qualquer posto de gasolina, padaria ou birosca eu olhava para ver se o Fábio não estava me esperando por lá. Comemos uns amendoins e uma jujuba (matei a saudade da jujuba), bebemos mais água (haja água) e partimos.

Depois de alguns minutos pedalando passou por mim um ciclista com uma bike mais “praiana” e uma mochilinha nas costas. Logo depois outro ciclista encosta do meu lado, esse estava com um MTB 29 e também com uma mochila.

– Opa, vocês tão indo para Floripa? – pergunta ele
– Não, estamos indo para Garopaba, saímos lá do Farol de Santa Marta – respondo eu.
– Ah, legal! Dá quanto até Garopaba? Vocês estão com bastante carga, né?
– Sim, nós acampamos lá, por isso a carga. Não é muita coisa, dá uns 70km. E vocês tão indo pra onde? – pergunto
– Ah, sim. Nós estamos indo para Floripa. Saímos de Criciúma e já estamos com 100km pedalados! – responde ele
– Caramba!!! Mas é chão até lá, são quantos KMs até Floripa!? – respondo espantado
– Uns 200, nós fazemos uns pedais assim. Vamos parar na casa de um amigo lá, ficamos alguns dias e voltamos.
– Legal! Bem, eu vou reduzir o ritmo um pouco por causa da carga, bom pedal para vocês! Até!
– Até – ele diz, e puxa o ritmo passando pelo Fábio que ia alguns metros na frente.

Depois desse momento o Fábio sumiu na frente, feito um carro de F1. Eu seguia pedalando no meu ritmo fusquinha. Depois de um bom tempo eu passo pela entrada da Barra de Ibiraquera e penso:

– Hummm, passei por ali na ida. Será que eu não tinha que entrar ali?

Resolvo parar numa estradinha de terra que margeia a BR 101 e dar uma conferida no GPS, por desencargo de consciência mandei uma mensagem pro Fábio e pedi que ele me mandasse a localização dele para ver se ele tinha entrado para a Barra. Ele me manda o ponto no mapa e eu vejo que estava na direção certa, bastava seguir por mais uns 3 km e encontraria ele. Lá vou eu pra estrada novamente. E uns minutos depois encontro o Fábio sentado na varanda de um restaurante na entrada de Garopaba.

– Fiquei meio preocupado pensando se tu ia entrar pra Ibiraquera – disse ele.
– Foi por isso mesmo que eu te pedi a tua localização, olhei a entrada e fiquei meio em dúvida se tu tinha entrado ou não.

Resumindo, tudo certo! Estávamos acabando o pedal bem antes do previsto. E o melhor, estávamos na varanda de um restaurante sef-service com buffet de frutos do mar – e na hora do almoço. Eu nem queria!

Almoçamos e ficamos batendo papo na varanda, com as bikes encostadas na grade. Aí apareceu o último ciclista que encontramos nesta pequena viagem, o melhor de todos eles.

No fim do almoço, do nada, surgiu um garoto todo feliz com a bicicleta dele. Corria, pulava e derrapava no terreno ao lado do restaurante. Como quem dizia: “olhem, eu também ando de bike”. E o que ele mais queria era bater um pequeno papo, queria simplesmente saber o que a gente fazia por ali, com aquelas bicicletas cheias de tralhas, tinha até um “telefone” na bike (meu GPS). Ele queria ter uma bike com telefone também, aliás, ele já fazia trilhas!

O papo durou por alguns poucos minutos e poucas frases. O bom mesmo para ele era andar de bike, pular e tals. Ele até reclamou que o pneu dele estava meio careca – com essa idade já estava reclamando das coisas na bike, esse tem futuro! Rsrsrssr!

– O problema com o pneu é que você gosta de derrapar muito – disse o Fábio rindo.
– E qual é o seu nome? – perguntei eu
– Caio – ele respondeu.
– Legal, Caio, então bate aqui e se cuida! Treina bastante que um dia a gente pedala por aí!

E assim nós subimos nas bicicletas e saímos. Deixando um pouco mais de sonhos pra imaginação do pequeno Caio. E um pouco mais de boas lembranças pro nosso pedal, que acabaria logo depois da nossa parada para o almoço.

Um pouco sobre os equipamentos e as principais dificuldades

Um amigo me pediu que eu citasse o que é necessário para uma viagem assim e quais foram meus maiores problemas, então vamos lá:

Equipamentos

Por ser uma viagem pequena (apenas dois dias) e por estarmos em um local/época do ano onde o clima é quente a coisa fica bem mais simples do ponto de vista dos equipamentos. Isso sem falar que tínhamos mercadinhos, padarias e restaurantes nos arredores. Esses dois fatores simplificam bem a viagem, os equipamentos que eu levei foram:

– bike aro 26 (revisada recentemente), quadro em alumínio, 27 marchas, com suspensão dianteira, rack traseiro e um par de alforjes com 20 litros cada;
– kit básico de manutenção da bike (elo da corrente, câmara de ar reserva, remendos, cola para remendos, espátulas, kit de chaves, chave de corrente e bomba de ar);
– farol dianteiro (USB) e lâmpada traseira vermelha (USB);
– duas garrafas de água de 710 ml cada – uma com água e uma com isotônico;
– snacks (barras de proteína, géis de carboidrato, castanhas, etc);
– celular, carregador, fones de ouvido e powerbank;
– GPS/Ciclocomputador (Bryton 530);
– kit de primeiros socorros;
– capacete, luvas, óculos escuros e um conjunto de roupa para pedalar – com uma blusa de manga longa com proteção UV;
– kit de higiene pessoal incluindo papel higiênico e protetor solar;
– um conjunto de segunda pele (camisa e calça – para dormir caso fizesse frio por causa da proximidade com o mar) e um anorak;
– saco de dormir para climas quentes e isolante térmico inflável;
– kit da rede (toldo, mosquiteiro, rede, fitas de suspensão, tirantes e 3 espeques);
– uma muda de roupa extra e chinelos (para usar pelo camping ou numa caminhada pela cidade);
– toalha de banho;
– kit Sea to Summit X-Series com prato e caneca colapsáveis e mais um kit de talheres de titânio genéricos (caso precisássemos e a cozinha do camping não fornecesse);
– um canivete suíço.

Caso eu lembre de alguma coisa eu incluo na lista posteriormente. Como nós tínhamos facilidade para comprar água e comida, tanto ao longo do caminho quanto no destino final, optamos por deixar de fora o kit de cozinha com fogareiro, gás e panela – podíamos usar a cozinha do camping se fosse preciso.

Eu pedalo de tênis por isso eu não incluí eles na lista. Mas tem gente que gosta de pedalar com a sapatilha de ciclismo, neste caso e dependendo das atividades que seriam feitas, valeria a pena incluir um par de tênis na lista de equipamentos.

As maiores dificuldades

Esta foi uma viagem de teste muito simples, e de certa forma fácil em termos de dificuldade. O trajeto que o Fábio escolheu é bem plano, tínhamos algumas subidas, obviamente, mas nada comparado com aquela altimetria louca comum em atividades de montanha ou em provas de bike. O maior desgaste veio da luta para vencer o vento contra e do calor. Se o vento estivesse a nosso favor seria bem mais simples!

O trânsito também incomodou bastante, tanto na BR101 quanto nas áreas urbanas. Na rodovia o problema era o barulho (que se torna chato depois de um tempo), a velocidade dos veículos, a quantidade de pedaços de pneus no acostamento e as agulhas laterais de acesso que precisavam ser cruzadas ou acessadas. Existem muitos motoristas tranquilos, conscientes e que respeitam o espaço do ciclista. Mas infelizmente existem muitos abusos também – seja numa rodovia federal grande, numa rodovia estadual menor (como a que existe na frente da minha casa, onde eu pedalo sempre) ou mesmo nas ruas menores dos centros urbanos.

Parceria é outra coisa muito importante, não tem como sair por aí sozinho(a) sem ter uma boa experiência acumulada. Pedalar pelas rodovias de Floripa me ajudou a lidar bem com a estrada, mas a companhia do Fábio dava uma certa tranquilidade, ainda que eu tenha pedalado sozinho em diversos trechos. Alguns outros pontos são fundamentais: cuidados com a hidratação, alimentação, vestuário adequado ao clima/local, saber resolver problemas mecânicos na bike e saber realizar os procedimentos de primeiros socorros básicos. Neste quesito não é tão diferente dos cuidados que você tem que ter durante um trekking na montanha.

Conclusão

Viajar de bike é algo fascinante, tanto quanto ou até mais do que mochilar. Já que ao mochilar você se desloca de carro, ônibus, avião, etc. Transportes que não te deixam tão conectado com a viagem. Na bike você não pode dormir em uma cidade e acordar em outra, como acontece ao viajar de ônibus. Você é o motor que te leva de uma cidade a outra e tem a liberdade para visitar aquelas pequenas cidades ou povoados onde até o ônibus não chega. E não podemos esquecer que a bike também vai dentro do bagageiro do ônibus ou do avião.

Mas não se engane, é fascinante, mas não é nada fácil. Por isso vale a pena começar devagar para ver se você realmente gosta da coisa.

A bike virou uma nova paixão por aqui. O foco do Trekking Brasil não irá mudar, mas de tempos em tempos aparecerão uns textos sobre bikes, viagens, reviews de equipamentos, etc. Sem grandes pretensões, como sempre foi a coisa por aqui.

O que realmente importa é a liberdade da conexão com a natureza, seja com a cargueira nas costas ou com os alforjes na bike. Até o próximo giro dos pedais, bons ventos!

Percurso do pedal de Garopaba até o Farol de Santa Marta

 
 

Trekker, montanhista, mochileiro e ciclista. Pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, viagens, cerveja e tecnologia.

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1 Comentário

  1. Parabéns ao super espirito aventureiro, sem falar na disposição e preparo físico para encara essa grande jornada. “Ver o mundo entre o giro e outro dos pedais não é pra qualquer um” Congratulações a dupla por contribuir com ricos detalhes deste episódio.

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